No início do século XIX ainda existia uma união entre as culturas literária e científica – não havia dissociação de sensibilidades que em breve se instalaria, e durante o período que Davy passou em Bristol teve início uma amizade íntima com o Coleridge e os poetas românticos. O próprio Davy estava escrevendo (e às vezes publicando) muitas poesias naquela época; seus apontamentos misturavam detalhes de experimentos químicos, poemas e reflexões filosóficas, e essas coisas não pareciam existir em compartimentos separados de sua mente. (Oliver Sacks).

 Apesar da fragmentação crescente do conhecimento científico, agravada ao longo do século XX com as hiper-especializações, ainda existem aqueles que são capazes de dialogar com diferentes campos do saber e, assim, preservam a unidade da diversidade entre as várias ciências, assim como entre elas e outras dimensões da cultura e da existência humana. Rodolfo Lopes é uma dessas pessoas que transitam com naturalidade entre vários mundos, cotidianamente: os laboratórios de alta tecnologia; a atividade como empreendedor e inovador; as páginas de literatura e de filosofia, como leitor e como autor. (…)

Desde as primeiras páginas, já reconhecemos uma escrita pessoal, clara e ao mesmo tempo inspirada e inspiradora, que nos chama a pensar criticamente o que tem sido a historicidade das pessoas e das empresas, e nos chama a imaginar criativamente o que pode vir a ser, com a necessária ampliação das margens da razão e da sensibilidade.
(Prof. Dr. Severino Antônio).

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