Quem vive remoendo o passado
Ou se pré ocupando com o que virá
Não tem tempo para viver:
Está muito ocupado para ver
O presente que o presente lhe dá.

O futuro, quem sabe dele realmente?
Deixe que ele chegue naturalmente,
Deixe que ele se torne presente.
É só isto que ele é: um presente,
Presente que a vida tem para dar.

O presente é como uma flor:
Bonita, frágil, efêmera, delicada.
É agora que ela precisa ser admirada
Depois podem vir vento, chuva, sol e calor
E ela acabar seca, destruída, despetalada.

A vida não é um problema a ser enfrentado,
Mas um segredo a ser, aos poucos, desvendado,
Um vinho a ser saboreado calmamente,
Um mistério escondido no fundo da mente,
Que um dia saberemos inteiramente.

Rodolfo Lopes

Escrito em 14 de março de 2005, colocado aqui em 20 de fevereiro de 2006, publicado no final de 2005 em Pérgula Literária VII [7º Concurso Nacional de Poesias “Poeta Nuno Álvaro Pereira”]

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